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Jornal Online 'efepe' / sindical

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ATÉ SEMPRE

por efepe, em 03.09.15

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Colegas;

 

Chegou o momento da minha despedida, deste departamento e desta empresa. E quero-vos contar as minhas experiências, o que aprendi no tempo que estive nesta empresa.

 

Entrei como muita gente com um contrato de estágio de 6 meses, e nesses meses tive de aprender tudo ou quase tudo o que necessitaria para trabalhar no departamento do Centro de Gestão de Baixa Tensão (CGBT), no entanto tive muito mais formações sobre como funcionava o Centro de Condução da Media Tensão (CCMT) do que o que me era realmente necessário, no entanto com tudo isso pensei que poderia utilizar quando passasse para o CCMT. Passados esses 6 meses ainda estive a contrato de 1 ano durante quase 3 anos, e nesses 3 anos notei que estava sob uma pressão, pois caso começasse a queixar de coisas que todos sentíamos, poderia simplesmente não ter o contrato renovado. Isto pode parecer idiotice e que uma empresa como esta que se mostra tão amigável para com os trabalhadores e o exterior seria incapaz de fazer, no entanto é bem capaz de o fazer como o faz, vi colegas a serem colocados de parte e não os deixarem evoluir na carreira pois eram aqueles que davam a cara e a palavra de todos, naqueles momentos em que alguém o tinha de fazer por algo que todos necessitaram.

 

A ideia que as pessoas na empresa se sentem em casa é de algum lado menos daqui, o CGBT é constantemente deixado para traz, no que toca a, por vezes, necessidades básicas. São feitas visitas como se fossemos animais numa jaula do jardim zoológico, em que chegam é feita uma demonstração dos sistemas, olhando para nós por vezes com olhar de desprezo para connosco.

 

Por vezes é difícil de explicar o que é exatamente o trabalho que aqui é feito, e há uma coisa a que se compara dizendo que não é assim, a ideia de que não somos “entregadores de pizza”, mas para dizer a verdade é exatamente o que é o trabalho, pois se não o fosse, o trabalho não seria constantemente comparado com o Despacho Norte, eles tendo modos de trabalho diferentes dos do sul, e em que o que interessa são só números, e não a qualidade do trabalho de cada um.

 

Assim chegamos a avaliação e as subidas de carreira. Ainda não consegui entender quais são os critérios de avaliação, pois os colegas com mais conhecimentos daqui são constantemente empurrados para trás, como se valessem menos ou que não fossem adequados para esses trabalhos, pois só pode ser porque são os colegas que dão a cara nos momentos necessários, nos momentos que fazem frente aos superiores, às chefias, fazendo tudo por tudo para melhorar o estado em que trabalhamos.

 

Vou demonstrar o facto que os trabalhadores do despacho não são mais nada que simplesmente números para esta empresa, aqui no CGBT e no CCMT, ninguém sabe melhor de como se trabalha aqui e qual o ambiente melhor para o trabalho, no entanto sem perguntar a ninguém é decidido modificar as salas de trabalho para um modo desnecessário e sem jeito nenhum, agora a não se podem abrir as cortinas e deixar a luz do dia entrar pois se o fizerem ninguém consegue ver os écrans do computador, pois não se vê nada com o reflexo, ou têm a luz a ofuscar a vista. E o CCMT está todo junto na mesma sala na qual o ar condicionado não funciona o que faz ficar uma sala quentíssima devido aos écrans de trabalho que há na sala, e onde se houver um dia com mais avarias ninguém consegue ouvir nada devido ao barulho dos telefones e avisos a aparecerem.

 

Tenho de apontar ao facto do que já ouvi dizer nesta empresa, a ideia de que aqui cada um pode ser quem realmente é, é pura fachada para o exterior, pois não nos deixam vir como queremos, não podemos vir de calções em dias de calor.

 

Não entendo qual é a ideia de tentar fazer isto parecer um call-center em que toda a gente é apenas mais um numero.

Por vezes parece-me que se esquecem que a idade aqui vem com experiencia, e a experiencia cria um bom trabalho.

 

São-nos tiradas coisas atrás de coisas e depois esperam que as pessoas aqui venham com vontade de trabalhar e de mostrar um bom trabalho, não temos direito a ter uma cafeteria nossa, comprada pelos colegas, na sala, já não podemos ter armários com gavetas na sala onde podemos colocar o nosso material de trabalho, é normal em circunstâncias destas terem vontade de trabalhar.

 

E assim me despeço desta empresa com muito prazer, com esperança numa vida onde faça a diferença, e ou que me sinta mais concretizado.

 

(correio electronico de 01-09-2015 01:01, de Felix Bruckelmann para os seus colegas de trabalho da EDPD_DDC)

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